Dor ou perda de força no ombro pode ser mais que uma bursite

Quando a porta do consultório de um ortopedista se abre, a chance de que o paciente afirme estar com uma “bursite do ombro” é enorme. Articulação de maior mobilidade no corpo, o ombro é também bastante vulnerável a lesões causadas por impactos, traumatismos e acidentes ou mesmo por processo degenerativo e esforço repetitivo. Mas o ortopedista do Centro de Ortopedia Especializada (COE),Thiago Caixeta, explica que nem toda dor na região é sintoma de uma bursite.

O especialista explica que é importante sim que o paciente procure um especialista ao primeiro sinal de dor já que, assim como a perda de força no braço lesionado, ela é um indicativo de que algo não vai bem. No entanto, a partir daí é feita uma investigação médica para entender o que de fato está causando o sintoma, já que pode tanto ser uma inflamação da bursa, como uma ruptura dos tendões ou mesmo uma dor de origem na coluna cervical.

Dedicado à área, o ortopedista explica que o principal vilão é mesmo o fator degenerativo. “A prevalência das lesões do manguito rotador na população em geral é muito alta. Em torno de 25% dos pacientes acima de 60 anos apresentam o problema e acima dos 80 anoso grau de ocorrência sobe para 50%”, ressalta Caixeta.

Contudo, identificar o problema com precisão é crucial para o tratamento. Isso porque mesmo a bursite é, na verdade, uma consequência de outros quadros mais complexos como a síndrome do impacto subacromial- caracterizada por alterações que comprometem os grupos musculares responsáveis pelo movimento do ombro -, a tendinite calcária – originada pela formação de cristais de cálcio dentro dos tendões -, a capsulite adesiva – retração da membrana da articulação do ombro com perda de movimento – ou a tendinite do bíceps.

Em alguns casos, quando a dor está mais próxima do pescoço do paciente, o problema pode nem mesmo ser no ombro, mas na coluna cervical, causada por irradiação a partir de uma hérnia de disco ou artrose. No ombro, o grau de cada lesão, que vai da inflamação à ruptura do manguito rotador, também intefere diretamente no tratamento, que pode ou não demandar intervenção cirúrgica. Por isso, o ortopedista recomenda que se observe a ocorrência de dor na região lateral do ombro irradiando para o braço, que ganha maior intensidade a noite ao deitar e pode culminar na perda de força na região. Nesses casos, um ortopedista especialista em ombros deve ser procurado o quanto antes.

Fonte: DM

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