Febre Amarela e a vacinação em pacientes reumáticos


Provável surto de “Febre Amarela” e convocação para “Vacinação” alarma Pacientes Reumáticos
A Febre Amarela, é uma doença endêmica, viral, infecciosa e não contagiosa, registrou 23 casos suspeitos em Minas Gerais, levando 14 pessoas a morte, com um registro em São Paulo. Doença transmitida pelo mosquito da espécie do Haemagogus e o Sabethes, pode ser prevenida através da vacina contra febre amarela, no entanto essa vacina é do tipo “vírus atenuado”, e não pode ser tomada por todas as pessoas que tem algum tipo de doença reumática.
Os pacientes com artrite reumatoide e outras doenças reumáticas, apresentam um risco de infecção duas vezes maior do que a população normal. O risco aumentado se deve tanto a imunossupressão decorrente da doença de base, quanto da terapia medicamentosa empregada, por isso, a Vacina da Febre Amarela que é feita de vírus atenuado, é contra indicada pois ao tomar, o paciente tem o risco de desenvolver uma infecção incontrolável.
O reumatologista, Dr. Thiago Bitar, orienta que a vacinação da febre amarela deve ser uma decisão compartilhada com o médico reumatologista. ​Alerta ainda que é preconizado a não vacinação em pacientes em uso de medicamentos Biológicos, ​DMARDs e altas doses de corticoesteroides.
Portanto as pessoas que têm doenças reumáticas e utilizam os medicamentos abaixo, devem conversar com o seu reumatologista antes de tomar a vacina da febre amarela:
√ Medicamentos biológicos: Abatacepte, Adalimumabe, Belimumabe, Certolizumabe pegou, Etanercepte, Infliximabe, Golimumabe, Rituximabe e Tocilizumabe.
√ Medicamentos DMARDs: Metotrexato, Sulfassalazina, Leflunomida, Hidroxicloroquina, Cloroquina,  Ciclosporina, Ciclofosfamida, Azatioprina e Tofacitinib (Xeljanz).
√ Corticosteroides: Prednisona, Predinsolona, Metilprednisona e Dexametasona.
Como se prevenir da Febre Amarela sem tomar a Vacina?
É possível utilizar o repelente de mosquito como medida de proteção, junto com roupas de manga longa e calças cumpridas como métodos de barreira contra o mosquito. Além de eliminar o foco do mosquito. Basicamente as mesmas precauções para dengue, zica e chickungunya.

Conheça as contraindicações da Vacina da Febre Amarela, segundo a Sociedade Brasileira de Imunização:
√ Crianças abaixo de 6 meses de idade.
√ Indivíduos infectados pelo HIV, sintomáticos e com imunossupressão grave comprovada por exame de laboratório.
√ Pessoas com imunodepressão grave por doença ou uso de medicação.
√ Pacientes que tenham apresentado doença neurológica desmielinizante no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da vacina.
√ Mulheres amamentando crianças abaixo de 6 meses de idade. Se a vacinação não puder ser adiada até o bebê completar 6 meses, a mãe deve realizar, antes da vacinação, a ordenha do leite e manter congelado por 28 dias, em freezer ou congelador, para uso durante 28 dias (no mínimo 15 dias), período em que há risco de transmitir o vírus vacinal pelo leite e contaminar o bebê.
√ Pacientes submetidos a transplante de órgãos.
√ Pacientes com câncer.
√ Pessoas com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina ou outras).
√ Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).
√ Em princípio há contraindicação para gestantes, mas a administração deve ser analisada de acordo com o grau de risco, por exemplo, na vigência de surtos.
√ A vacinação de indivíduos a partir de 60 anos deve ser evitada, a menos que haja alto risco de infecção.

Esquema de doses:
Nas áreas brasileiras com recomendação de vacina:
√ Rotina: duas doses: aos 9 meses e 4 anos de idade;
√ Para quem não recebeu as doses da rotina: duas doses com intervalo de dez anos.
√ A viajantes para áreas com recomendação ou países que exigem o CIVP é recomendada uma dose. Se dez anos depois a pessoa se deslocar para a área com recomendação, uma segunda dose deve ser aplicada.

Em situações de exigência da vacinação, a primeira dose deve ter sido aplicada no mínimo dez dias antes da viagem.
Via de aplicação:
Subcutânea.
Cuidados antes, durante e após a vacinação:
√ Não são necessários cuidados especiais antes da vacinação.
√ Em caso de febre recomenda-se adiar a vacinação até a melhora.
√ A administração da vacina em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças autoimunes deve ser avaliada com cuidado, pois pode haver imunossupressão nesses pacientes.
√ Pacientes transplantados de células de medula óssea também devem ser avaliados, considerando o estado imunológico e o risco epidemiológico, respeitando-se o período mínimo de 24 meses após o transplante.
√ Qualquer sintoma grave e/ou inesperado após a vacinação deve ser notificado ao serviço que a realizou.
√ Todo e qualquer evento adverso grave e/ou inesperado deve ser notificado às autoridades de Saúde.

Efeitos e eventos adversos:
√ Entre os eventos locais, a dor no local de aplicação ocorre em 4% dos adultos vacinados e um pouco menos em crianças pequenas, e essa dor dura um ou dois dias, na forma leve ou moderada.
√ Manifestações gerais, como febre, dor de cabeça e muscular são os eventos mais frequentes e acontecem em cerca de 4% dos que são vacinados na primeira vez e menos de 2% nas segundas doses.
√ Apesar de muito raros, podem acontecer eventos graves: reações alérgicas, doença neurológica (encefalite, meningite, doenças autoimunes com envolvimento do sistema nervoso central e periférico) e doença em órgãos (infecção pelo vírus vacinal causando danos semelhantes aos da doença). No Brasil, entre 2007 e 2012, a ocorrência destes eventos graves foi de 0,42 caso por cem mil vacinados. Reações alérgicas como erupções na pele, urticária e asma acontecem com frequência de um caso para 130 mil a 250 mil vacinados. Entre 1999 e 2009, ocorreu anafilaxia na proporção de 0,023 caso para cem mil doses aplicadas. Entre 2007 e 2012, aconteceram 116 casos (0,2 caso em cem mil vacinados) de doença neurológica, principalmente quando se tratava de primeira dose e em idosos. Já a doença nos órgãos, chamada “viscerotrópica”, neste mesmo período, ocorreu em 21 pessoas (0,04 caso em cem mil vacinados).

Fonte: Sociedade Brasileira de Imunizações

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