Jovem com lúpus tenta medicina na USP após perder pai na fila de transplante: ‘tem que tentar mudar o mundo’

Sem condições de pagar cursinho, Camila Silva, de Santa Rosa de Viterbo, tentou conciliar estudos com tratamento contra doença autoimune. ‘Não tive ajuda de ninguém’.

Prestar a Fuvest neste domingo (25) representa bem mais que conseguir estudar em uma universidade para Camila Silva, de 24 anos.

A jovem de Santa Rosa de Viterbo (SP) tenta a disputada vaga em medicina, na USP de São Paulo, como uma forma de melhorar a vida das pessoas negligenciadas pela saúde pública.

No começo do ano passado, já em meio à busca de uma vaga na faculdade, ela perdeu o pai, que morreu a um mês de realizar um transplante de rim depois de uma espera que se estendeu por cinco anos.

“As pessoas hoje em dia são muito egocêntricas, olham muito pro bolso e esquecem do próximo do seu lado. A gente tem que tentar mudar o mundo por nós mesmos, não pelo fato de você querer ser melhor que outra pessoa”, disse a vestibulanda, momentos antes de entrar para fazer a prova na Unip, em Ribeirão Preto (SP).

Não bastasse a perda do pai, Camila conta que teve que se virar para conseguir estudar para o concorrido vestibular, ao mesmo tempo em que precisou viajar seguidas vezes para São Paulo para se tratar de um lúpus, doença autoimune que pode afetar diferentes órgãos.

Sem condições de pagar por um cursinho, hoje ela vive com a mãe, que abriu um comércio para conseguir sustentar a ela e o irmão, de 7 anos. “Estudei por conta própria, não tive ajuda de ninguém, literalmente. (…) Fiz meu horário, mas é muito difícil pelo fato de você não ter ninguém pra te auxiliar nas dúvidas, vou tentar o meu melhor.”

Caso não passe em medicina, ela pretende tentar fazer um curso técnico de enfermagem, para iniciar logo os estudos e conseguir trabalho. “Quero ajudar a minha mãe a se estabilizar e ajudar as pessoas que realmente precisam do meu serviço.”

Fuvest 2019

Com 127,7 mil candidatos esperados, a Fuvest aplica neste domingo a primeira fase do vestibular 2019 para vagas em cursos de graduação na USP.

Com duração de cinco horas, a prova é composta por 90 questões de biologia, física, geografia, história, inglês, matemática, português e química. Todas as questões serão do tipo teste de múltipla escolha, com cinco alternativas, das quais apenas uma é correta.

De Cajuru (SP), Marina Rivalta presta a Fuvest em Ribeirão Preto pelo segundo ano consecutivo na tentativa de obter uma vaga em direito, na USP de São Paulo. Ela conta que teve que sacrificar um pouco da vida social para conseguir estudar. “Foi na base do cursinho. Nesses últimos meses eu parei um pouco de sair, senão não dava conta.”

A área com maior número de inscritos é biológicas, com 51.288 candidatos (4.120 treineiros); seguida por humanidades, com 40.996 candidatos (3.911 treineiros) e exatas, com 24.073 inscritos (3.398 treineiros).

Fonte: G1

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