Para especialista, SUS cumpre papel fundamental em oferecer vida saudável

Apesar de positivo, ele não é suficiente e precisa de integração com políticas públicas, analisa professor

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem uma lista com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que devem ser cumpridos até 2030. O Jornal da USP no Ar apresenta, com o professor Marcos Buckeridge, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, uma série que analisa cada um dos objetivos. O terceiro é assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

Dados de 2017 apontam que, a cada dia, morrem 17 mil crianças a menos do que em 1990, porém, mais de 6 milhões de crianças ainda morrem a cada ano, antes do seu quinto aniversário. Globalmente, a mortalidade materna caiu quase 50% desde 1990. Porém, a taxa de mortalidade materna, proporção de mães que não sobrevivem ao nascimento do filho comparada com aquelas que sobrevivem, nas regiões em desenvolvimento, ainda é 14 vezes mais alta do que nas regiões desenvolvidas.

O professor Marco Akerman, da Faculdade Saúde Pública (FSP) da USP, e presidente do Centro de Estudos Pesquisa e Documentação em Cidades Saudáveis (Cepedoc), um centro colaborador da OMS, conversou conosco e contou que o ponto de partida é entender que esses objetivos de desenvolvimento sustentável são aspiracionais, ou seja, “o mundo esperançando”, e que isso é indicado por esse objetivo de saúde mundial. Ele explicou ainda que esse objetivo não é suficiente em si só; ele necessita dos outros 16 para que funcione da forma devida – são indissolúveis.

Buckeridge completa explicando que a preocupação da ONU com a questão da mortalidade infantil e materna tem ênfase global, visto que há países em situação complicada no que tange a esse ponto. A África, por exemplo, teve a taxa média de mortalidade infantil em 48,9 mortes para cada mil nascimentos; o Brasil, por outro lado, teve uma taxa de 18 mortes para cada mil nascimentos.

Akerman comentou ainda quanto às dificuldades de se ter uma vida saudável em diferentes partes do mundo. No Brasil, ele aponta que a saúde pública, incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido, cada vez mais, visto como um projeto civilizatório importante. Com os recursos que o SUS tem à mão – ainda mais depois da emenda constitucional que institui o teto dos gastos públicos -, sua atuação vem sendo, sim, positiva. O SUS, somado a outras políticas públicas, foi responsável, na discussão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do milênio, pelo Brasil ter alcançado todas as metas, exceto à de mortalidade materna. Mas ressalta que o recente aumento na mortalidade infantil pode ser indicativo de diminuição no financiamento de políticas públicas em geral.

Fonte: Jornal da USP

 

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