Pessoas com doenças reumáticas precisam manter atividades físicas durante a pandemia

Pensando na inatividade física das pessoas, principalmente populações que possuem doenças reumáticas, e suas consequências negativas à saúde, o médico e pesquisador Bruno Gualano, do Laboratório de Fisiologia Aplicada e Nutrição da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), juntamente com outros pesquisadores, publicou um artigo com recomendações de atividades físicas para serem aplicadas por profissionais de saúde que atuam na área da reumatologia durante a pandemia do novo coronavírus. O grupo também publicou uma cartilha, para o público em geral, como material suplementar com dicas de como se manter ativo no isolamento.

Durante o período de quarentena é esperado que ocorra uma diminuição na prática de atividades físicas. Entretanto, esta inatividade pode causar diversos problemas à saúde, principalmente para pessoas que possuem doenças reumáticas. “Apontamos para esse risco que aumenta nessa condição e trouxemos recomendações bastante aplicadas para os profissionais que atuam na reumatologia, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, e profissionais de saúde no geral, para que possam prescrever atividades físicas para os pacientes”, explica Gualano ao Jornal da USP.

As doenças reumáticas representam um conjunto de diferentes doenças que acometem o sistema locomotor, como os ossos, articulações, músculos, cartilagens, ligamentos e tendões. Apesar de sempre serem associadas a idosos, elas podem acometer qualquer pessoa, desde crianças e jovens, até adultos.

De acordo com o médico, a preocupação com pessoas que estão ficando inativas fisicamente deve ser levada em consideração para manutenção de políticas públicas neste contexto da pandemia. “Existem muitos malefícios que podem surgir em um curto período de tempo, como perda de massa muscular, aumento de gordura visceral, piora da glicemia, etc”, conta o pesquisador. Por isso, é muito importante a recomendação de atividades físicas.

Cartilha explica como se manter ativo

Juntamente do artigo, o grupo publicou uma cartilha como material suplementar com dicas de como se manter ativo no isolamento. A cartilha traz informações sobre quanto tempo de atividade física é necessário durante o dia, segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), para crianças, adultos e idosos. O material também traz dicas para ser mais ativo em casa, além de alguns pontos que merecem atenção, como consultar um médico para saber se é seguro realizar atividades físicas (principalmente para pessoas que possuem algum tipo de doença crônica ou problema de saúde).

Imagem cedida pelo pesquisador

O artigo foi montado com base em estudos teóricos da área de reumatologia. Mas Gualano comenta que o laboratório possui outros projetos para investigar, na prática, as intervenções através das atividades físicas. Um exemplo, é uma série de estudos que visa promover a atividade física para crianças em casa. O projeto buscará medir o quanto o nível de atividade física caiu e, com base nesta informação, intervir com um programa de exercícios à distância.

Durante este período de quarentena é importante que as pessoas mantenham o nível de atividades físicas, dadas as restrições de isolamento. É necessário acrescentar estas atividades à nova rotina que está sendo criada. “Isso vale para toda a população. Em pouco tempo, a falta de atividade traz problemas. É essencial cuidar da saúde mental e física, e os exercícios são uma ferramenta importante para prevenir distúrbios mentais e físicos que podem decorrer em um período mais longo de quarentena”, finaliza o pesquisador.

O artigo Combating physical inactivity during the COVID-19 pandemic foi publicado na revista científica Nature Reviews Rheumatology no final do mês de abril.

Mais informações: e-mail gualano@usp.br, com Bruno Gualano 

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